Sonhos de Bébé

Sonhos e desejos de uma mãe



quinta-feira, Junho 29, 2006

Pediatra - Perguntas frequentes


O que fazer quando o bebé tem muitas cólicas?
O choro faz parte da vida da criança e, nomeadamente, das crianças muito pequenas.
O bebé pode chorar por ter fome, por sentir a fralda molhada, por ter sono ou até por birra reclamando que peguem nele ao colo por precisar de "mimos".

O choro poderá também ser explicado pelas chamadas "cólicas", situação algo misteriosa não perfeitamente explicada. Iniciam-se habitualmente durante o primeiro ano de vida prolongando-se até cerca dos 4 meses.

Poderão ser explicadas por deglutição de ar (aerofagia), por imaturidade do aparelho digestivo, por tensão emocional dos pais – sobretudo da mãe – ou por alergia ao leite de vaca.

As crianças com cólicas têm crises diárias de choro, ficam muito congestionadas, flectindo repetidamente os joelhos sobre a barriga.

Tais crises são em geral mais intensas quando a criança está a mamar, havendo tendência para largar o mamilo. Dum modo geral as crianças com cólicas crescem bem e têm uma saúde próspera. Por vezes a mãe julga que se trata de uma rejeição do leite; pelo contrário, o choro relacionado com fome surge antes da mamada, próximo da hora da mesma.

Então, o que poderá fazer para prevenir ou minorar a situação?
Há meia dúzia de regras simples:

• A refeição/mamada deve ser dada num ambiente calmo, sem pressa e sem pessoas à volta.

• A deglutição de ar deve ser evitada: as mamadas não devem ultrapassar os 20 minutos, a tetina do biberão deverá ter o orifício adequado, a posição do biberão deverá evitar a entrada de ar – o nível do leite do biberão deve estar sempre acima do bucal do biberão.

• Música suave e uma botija de água quente sobre a barriga.

• Também uma conversa calma com os pais poderá reduzir a tensão emocional de ambos.

No caso de surgirem mesmo, as crianças podem sentir algum alívio se colocadas de barriga para baixo (esta posição nunca para dormir!) comprimindo ligeiramente a barriga e flectindo ligeiramente os joelhos e as coxas.

Antiespasmódicos ou antiflatulentes em gotas poderão ter algum efeito "psicológico".

Mas é necessário os pais estarem mentalizados para casos mais renitentes.

Bastará então alguma resignação pois o problema passará pelos 4-5 meses.
E optimismo, pois nos casos de verdadeiras cólicas os bebés aumentam bem de peso e desenvolvem-se bem.
Prof. Doutor João Videira do AmaralDirector da Clínica Universitária


Com que frequência a mãe deve levar o bebé ao pediatra?
De acordo com as orientações da Direcção Geral de Saúde, as idades consideradas importantes para o bebé ser observado no âmbito dos chamados exames de saúde (entre os 0 e os 4 meses) são: 1ª semana de vida, 1 mês, 2 meses, 4 meses.

Depois entre os 1-3 anos: aos 12 , 15, 18 meses, 2 e 3 anos.

Estas idades não são rígidas, com efeito, se uma criança se deslocar ao centro de saúde fora daquelas idades-chave poderá ser feito o exame indicado para essa idade.

No caso da criança ser assistida por um pediatra fora do âmbito do centro de saúde, a mãe seguirá as sugestões do mesmo que não se afastarão muito do esquema oficial.

Nos primeiros 4 meses os chamados exames de saúde contemplam essencialmente a avaliação do crescimento e do desenvolvimento do bebé. O médico que observa a criança dará especial atenção ao problema de alimentação e da prevenção de doenças e acidentes domésticos, chamando a atenção para determinados sinais de perigo que os pais devem conhecer.

Lá diz o ditado "mais vale prevenir do que remediar".Será sempre da maior importância reter a ideia de "ir ao médico" não em situações de doença, mas com saúde, precisamente para prevenir a doença.

Prof. Doutor João Videira do AmaralDirector da Clínica Universitária do Hospital Dona Estefânia


O que fazer ao bebés que têm prisão de ventre?
Os bebés com fezes duras e alteração da frequência normal de dejecções, com mais de 6 meses, devem ter um padrão alimentar diversificado com legumes e fruta esmagada (maçã, pêra) na alimentação.

Deve ser oferecida água.
A massagem abdominal em U invertido iniciada na fossa ilíaca direita pode ser tentada longe da refeição para não provocar refluxo.

A administração de pequenos enemas de água, ou glicerina, depois de conveniente lubrificação anal, pode ser executada depois de conversar com o médico ou enfermeira.

DOUTOR LUIS JANUÁRIO – PEDIATRA CHEFE DE SERVIÇOS DO HOSPITAL PEDIÁTRICO DE COIMBRA


"Sapinhos", o que são e o que fazer?
Sapinhos são pequenas manchas brancas, semelhantes a flocos de leite ou nata, na língua e mucosas da boca dos lactentes.
São provocados por uma levedura que gosta do calor e da humidade.

Deve administrar um medicamento oral, prescrito pelo médico, três a quatro vezes por dia até à cura; ferver ou deitar fora a chupeta e os brinquedos que o bebé leva à boca.

Quando a mãe amamenta deve lavar bem os mamilos podendo aplicar localmente o mesmo produto.

A levedura em questão gosta de ambientes ácidos: antes dos medicamentos, poderá ensaiar-se água das Pedras.
DOUTOR LUIS JANUÁRIO – PEDIATRA CHEFE DE SERVIÇOS DO HOSPITAL PEDIÁTRICO DE COIMBRA


O bebé não aceita o biberão de leite...
Em primeiro lugar há que distinguir quando é que o bebé começou a deixar de aceitar o biberão de leite.

Trata-se de um caso em que inicialmente o aceitava e deixou de o aceitar, ou de outra situação em que por exemplo, a mãe deixou de poder dar o seu peito, e começou a dar biberão?

É necessário não dramatizar desde que o estado geral da criança seja bom e não tenha sido detectado qualquer problema.

Na última hipótese, transição do leite materno para o leite dietético para lactentes e no pressuposto de que a reconstituição do mesmo é feita correctamente, juntando o pó com a água nas proporções aconselhadas, a criança poderá estranhar o sabor ou a temperatura.


Para facilitar a adaptação ao biberão será conveniente adoptar a chamada regra dos 3-4 dias, com o objectivo de evitar a recusa do mesmo: tenta introduzir-se um biberão no primeiro dia em que se inicia a mudança, dando as restantes refeições de peito/leite materno.

Este esquema é mantido durante 3 ou 4 dias. Depois destes 3-4 dias, introduz-se o segundo biberão, dando as restantes refeições de peito/leite materno.

E assim sucessivamente. Portanto, se o objectivo é ficar, por exemplo com 5 biberões por dia, para a transição ser o mais gradual possível, a mãe precisará entre 15 a 20 dias para que o bebé passe a aceitar todos os biberões, com toda a tranquilidade e do modo mais progressivo possível.

Poderá haver outras situações mais raras que poderão explicar o não aceitar o biberão, as quais deverão ser esclarecidas caso a caso com o médico assistente. Aqui são dadas indicações de ordem geral.

Para finalizar, duas palavras para dizer que o momento da refeição do bebé (quer com leite materno, quer biberão) deve ser um momento de calma, em ambiente tranquilo, sem barulho e sem outras pessoas a observar.

Há bebés que se alimentam de qualquer modo, com barulho ou pessoas à volta, mas há outros que se adaptam com mais dificuldade e que justificam aplicar com precaução as regras gerais que aconselhamos.

Os bebés não são todos iguais, reagem por vezes de modo bem diverso, justificando caso a caso, atitudes também por vezes diversas.
Prof. Doutor João Videira do AmaralDirector da Clínica Universitária do Hospital Dona Estefânia



O meu bebé demora muito tempo a adormecer, quer seja de dia ou de noite. É normal?
Deve criar um ambiente apropriado ao adormecimento: silêncio, obscuridade, recolhimento, intimidade.

Cante uma canção, uma ladainha, conte uma história.

Nunca é cedo demais. Faça do adormecer um ritual que será lembrado. Não deixe o bebé adormecer na sala embalado por uma novela ou pelos spots televisivos.

É normal que os bebés demorem a adormecer e acordem ao menor estímulo na fase inicial do sono.

Os bebé têm um tempo de sono profundo, calmo, menor que os adultos e só o atingem 30 a 40 minutos depois de adormecerem.
É impossível e errado tentar contrariar esta vantagem protectora.
DR. LUIS JANUÁRIO – PEDIATRA CHEFE DE SERVIÇOS DO HOSPITAL PEDIÁTRICO DE COIMBRA


Como lidar com a birra do bebé?
Em primeiro lugar há que admitir que as birras fazem parte da vida da criança, ou seja, a situação não deverá ser dramatizada pelos pais. Pode dizer-se que as birras são importantes para o desenvolvimento da criança. Podem funcionar como escape que contribui para o equilíbrio (instável) da afectividade.

Com as birras, a criança afirma-se e reivindica, tentando chamar a atenção para "o seu campo" de acção.

Por outro lado, com tal afirmação e tal atitude de defesa da sua individualidade, ao fim e ao cabo subconscientemente a criança acaba por "reclamar" protecção, o que traduz a sua dependência.

Ora a mãe, o pai – os pais deverão ter uma atitude firme no sentido de evitar que a criança com birras passe a dominar a situação, transformando-se em déspota e ditadora que amedronta e domina os pais.

É importante evitar que a atitude do pai e da mãe seja discordante.

Atitudes diferentes por parte da mãe e do pai só agravarão o problema.

Há que adoptar uma atitude de firmeza contra a "chantagem" da criança, falando com ela e explicando-lhe a situação.

Abraçando-a com carinho mas também com autoridade, poderá quebrar o estado de tensão.

Ou seja, com firmeza, mas com afecto faça compreender na criança o papel dos pais na educação... A criança tem o direito a ser educada correctamente, devendo imperar o bom senso dos pais evitando situações extremas de agressividade e de pieguice.
Prof. Doutor Videira do AmaralDirector da Clínica Universitária do HospitalDona Estefânia


O bebé é pouco sociável. É culpa da educação ou é feitio próprio?
Entre os 15 e os 18 meses, em plena etapa da angústia da separação, os bebés podem ser pouco sociáveis.

Perceba que há um tempo para tudo. Não seja superprotector(a) mas não force. Proteja quando isso é necessário, solte a maior parte das vezes. Estimule a curiosidade, a iniciativa, a autonomia.
Prof. Doutor Videira do AmaralDirector da Clínica Universitária do HospitalDona Estefânia


Porque é que o bebé tem pesadelos e o que se deve fazer?
Os pesadelos são bastante frequentes nas crianças, sobretudo entre os 4 e os 6 anos; costumam ser diferentes no sexo masculino (são os "maus" , os bichos horríveis, os leões, os monstros) e no sexo feminino (são as bruxas e as pessoas más...).

Muitas vezes os pesadelos coincidem no tempo com certos medos, quando estão acordados – medo dos cães, das sirenes, dos barulhos fortes. Ao fim e ao cabo, segundo os especialistas da matéria, os pesadelos traduzem o desenvolvimento de sentimentos mais agressivos de criança e coincidem com a "necessidade", durante o dia, de brincadeiras mais agressivas e de se sentirem "zangadas".

Embora muito se desconheça ainda sobre estes fenómenos, há medidas práticas que podem minimizar a repercussão sobre a criança, tentando que ela aprenda a lidar com a situação.

1 – Confortar a criança, não ridicularizando o que ela transmite.

2 – Não mostrar ansiedade perante a criança face ao sucedido.

3 – Por vezes, acordando a criança de noite, os pais terão que "fazer algum teatro" tentando por exemplo procurar no quarto o objecto do pesadelo (debaixo da cama, no armário, na gaveta), no sentido de tranquilizar a criança que chegará à conclusão de que "o perigo" já passou.

4 – É fundamental que a criança não tenha uma vida agitada quanto a horários. É importante que se deite sempre à mesma hora.

5 – Um objecto preferido da criança acompanhando-a quando se vai deitar (boneco, objecto, etc) terá efeito tranquilizante.

6 – O período que antecede a hora de ir para a cama deitar-se deve ser calmo. Deverá evitar--se que veja filmes e televisão. Por outro lado, a leitura calma de uma história (que poderá incluir um enredo de história de pesadelos com desfecho feliz) seguramente poderá tranquilizar a criança.

No entanto, se os medos nocturnos e os pesadelos surgirem com uma evolução muito rápida numa criança anteriormente bem (manifestações por exemplo: medo de se despir, de mudar de roupa, de ir à casa de banho ou até de se deitar) poderá estar em causa qualquer perturbação do comportamento que ultrapassa os limites do normal.

Neste caso, sem alarmismo, haverá que consultar um especialista de saúde mental. Mais vale prevenir!
Prof. Doutor Videira do AmaralDirector da Clínica Universitária do HospitalDona Estefânia


Deve-se castigar as crianças quando fazem asneiras? Como?
Imediatamente após um comportamento perigoso ou reprovável, puna: Ponha a sua cara de zangado(a), ralhe sem berrar, retire o bebé com suave firmeza da cena do "crime", mostre, serenamente, que é mais forte e capaz de manter uma posição.
Seja coerente com a decisão que tomou.

Todos os adultos da casa (pai/mãe/avós etc) e educadores dos infantários devem adoptar as mesmas normas e aplicá-las sempre.
Doutor Luís Januário •Pediatra Chefe de Serviço do Hospital Pediátrico de Coimbra



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